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Refluxo Laringofaríngeo (refluxo silencioso): quando o problema vai além do estômago

  • Foto do escritor: Otávio Vilas Boas Fantin
    Otávio Vilas Boas Fantin
  • 10 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 5 de fev.

Você sente pigarro constante, tosse seca, rouquidão ou aquela sensação de garganta arranhando? Nem sempre esses sintomas vêm de um resfriado ou de um esforço vocal. Muitas vezes, o verdadeiro vilão é o refluxo laringofaríngeo (RLF), também chamado de refluxo silencioso — uma forma de refluxo que afeta diretamente a garganta e a voz.


O que é o refluxo laringofaríngeo (RLF)?

Diferente do refluxo gastroesofágico tradicional, o RLF acontece quando o conteúdo ácido do estômago sobe além do esôfago e atinge a laringe e a faringe — estruturas muito mais sensíveis à acidez e à pepsina (uma enzima digestiva presente no suco gástrico). Além do ácido, pode haver refluxo de conteúdo gasoso ou "não ácido". Por isso os medicamentos chamados de "prazóis" não funcionam totalmente nesse tipo de refluxo, pois eles bloqueiam apenas o ácido e não os outros tipos de refluxo.

Isso pode causar inflamação da mucosa da garganta e das pregas vocais, gerando uma série de sintomas que afetam a fala, a respiração e o bem-estar geral.


Sintomas mais comuns do RLF

  • Rouquidão persistente

  • Pigarro constante

  • Tosse seca irritativa, especialmente à noite

  • Sensação de bola na garganta (globus faríngeo)

  • Dor de garganta sem infecção

  • Irritação ou ardência na garganta

  • Voz fraca ou cansada ao longo do dia

  • Crises súbitas de falta de ar (espasmo da laringe)


Episódios de asfixia podem ocorrer?

Sim. Em casos mais graves, o RLF pode desencadear um espasmo induzido da laringe, causando sensação de sufocamento. A respiração fica bloqueada por alguns segundos, o que gera uma reação de pânico. Essa crise, antes conhecida como movimento paradoxal das pregas vocais, exige atenção especializada.


Como é feito o diagnóstico?

O refluxo laringofaríngeo nem sempre é identificado em exames tradicionais, como a endoscopia digestiva alta, embora esses exames sejam fundamentais para uma avaliação adequada do trato digestório superior. Por isso, é necessário uma avaliação cuidadosa, ouvindo e entendendo os sintomas apresentados pelo paciente, e também com outros métodos de exames, como a videolaringoscopia e a videoendoscopia nasossinusal.

Esses exames são feitos de forma ambulatorial, sem sedação, sem dor, usando aparelhos flexíveis com tecnologia de alta definição.


Qual é o tratamento?

O tratamento do refluxo laringofaríngeo é multimodal, ou seja, envolve várias frentes de cuidado:

  1. Mudanças no estilo de vida e na dieta

    Evitar alimentos ácidos, gordurosos, doces, cafeína, bebidas alcoólicas ou gaseificadas (incluindo água), comer em grandes volumes ou deitar-se logo após as refeições, controle emocional, perda de peso.


  2. Terapia medicamentosa

    Uso de inibidores de ácido (como omeprazol ou esomeprazol), alginato e medicamentos que auxiliam no esvaziamento gástrico.


  3. Fonoaudiologia e reabilitação vocal

    Casos com sintomas vocais mais intensos podem se beneficiar de acompanhamento fonoaudiológico para recondicionar o uso da voz.


  4. Monitoramento com equipe multidisciplinar

    Em casos resistentes, a investigação pode ser ampliada com a realização de exames como a impedancio-ph-metria de 24h.


Conclusão

O refluxo pode se manifestar de formas silenciosas e enganosas, afetando diretamente a sua voz, respiração e qualidade de vida. Por isso, se você sente sintomas persistentes e sem causa aparente, procure avaliação especializada.

Com diagnóstico preciso, tratamento direcionado e força de vontade, é possível controlar o refluxo e recuperar sua saúde vocal.

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