Paresia ou Paralisia do Nervo Laríngeo Recorrente: quando uma prega vocal perde o movimento
- Otávio Vilas Boas Fantin

- 10 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 31 de jan.
Você já sentiu a voz falhar, ficar rouca por semanas ou ter dificuldade para engolir após uma cirurgia no pescoço ou tórax? Esses podem ser sinais de paresia do nervo laríngeo recorrente, uma condição que afeta o movimento de uma das pregas vocais e compromete a produção da voz.
O que é paresia/paralisia do nervo laríngeo recorrente
A paresia ou paralisia do nervo recorrente é uma condição em que o nervo laríngeo recorrente — um dos responsáveis pelo movimento das pregas vocais — é lesionado. Isso leva à redução de movimento de uma das cordas vocais, que fica imóvel ou com mobilidade reduzida. A consequência mais comum é uma voz rouca, fraca e soprosa, com esforço ao falar. Em alguns casos, há dificuldade para projetar a voz em ambientes ruidosos. A deglutição também pode ser afetada, com engasgos frequentes.
O que causa essa paralisia
As causas mais frequentes estão relacionadas a cirurgias ou doenças que envolvem o pescoço e a parte superior do tórax, como:
Cirurgias de tireoide
Procedimentos cardíacos ou pulmonares
Manipulação da coluna cervical
Tumores, linfonodomegalias ou metástases
Em alguns casos, não se encontra uma causa evidente, o que chamamos de paresia ou paralisia idiopática.
Como a voz fica com a paresia ou paralisia unilateral
A prega vocal afetada não se move adequadamente e não consegue encostar na prega do lado oposto. Com isso, há escape de ar durante a fala. Os sintomas mais comuns incluem:
Voz soprosa, fraca ou trêmula
Rouquidão persistente
Dificuldade para falar alto
Fadiga ao falar por longos períodos
Engasgos ao engolir líquidos
Sensação de cansaço vocal
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é realizado por exame de laringoscopia, onde é possível observar a movimentação das pregas vocais durante a respiração e a fala. Quando uma delas está parada ou com movimento limitado, confirma-se a hipótese. Em muitos casos, são necessários exames complementares para investigar a causa da lesão do nervo, como tomografia, ressonância ou avaliação neurológica.
Existe tratamento?
Sim. E a boa notícia é que na maioria dos casos os sintomas podem ser tratados com sucesso. O principal tratamento atualmente é a medialização da prega vocal.
O que é a medialização
É um procedimento no qual uma substância é injetada na lateral da prega vocal paralisada, empurrando-a em direção à linha média, ou uma prótese é colocada para atingir este objetivo. Isso permite que ela encoste na prega vocal saudável, restaurando o fechamento adequado das pregas vocais durante a fala.
Esse procedimento pode ser feito:
Com anestesia local, pela boca ou externamente pela pele
Ou sob anestesia geral, dependendo do caso
As substâncias utilizadas variam de acordo com a situação clínica:
Substâncias reabsorvíveis, como o ácido hialurônico, a hidroxiapatita de cálcio e gordura autóloga (do próprio paciente)
Implantes permanentes como silicone ou patch de Goretex
É um procedimento seguro?
Sim. A medialização tem alta taxa de sucesso. A recuperação costuma ser rápida, com melhora vocal evidente logo nos primeiros dias.
E se a voz continuar fraca?
Mesmo após o aumento, pode ser necessário acompanhamento com fonoaudiólogo especializado em voz, para ajustar a técnica vocal, melhorar a respiração e evitar compensações musculares que atrapalham o desempenho vocal.
Se a sua voz mudou e não voltou ao normal após uma cirurgia ou infecção, procure um especialista o quanto antes.
A paresia ou paralisia do nervo laríngeo recorrente pode ser tratada com resultados excelentes. A avaliação precoce é essencial para definir o melhor tipo de tratamento. Antigamente aguardava-se pelo menos 6 meses para o retorno da voz normal. Hoje, está mais do que estudado que não é necessário esperar tanto tempo após o diagnóstico para se fazer algum tipo de intervenção.
Agende uma consulta com um especialista e recupere a qualidade da sua voz.

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