Papilomatose Respiratória Recorrente (PRR): o que é e como tratar
- Otávio Vilas Boas Fantin

- 10 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 5 de fev.
Você já ouviu falar em papilomatose laríngea? Trata-se de uma condição rara em que pequenas lesões, semelhantes a verrugas, crescem nas pregas vocais e na laringe, afetando diretamente a sua voz. Essa doença é causada pelo vírus HPV (Papilomavírus Humano) e é chamada de Papilomatose Respiratório Recorrente (PRR)
Como o HPV afeta a voz
O HPV é um vírus bastante comum. Muitas pessoas têm contato com ele ao longo da vida, mas só algumas desenvolvem sintomas na laringe. Os tipos de HPV mais associados à PRR são os de baixo risco oncogênico, como os tipos 6 e 11, que raramente se transformam em câncer.
Os papilomas crescem sobre as pregas vocais e interferem diretamente na vibração da voz, causando rouquidão persistente. Em alguns casos, há também cansaço ao falar, esforço vocal ou até dificuldade para respirar, se as lesões forem grandes.
Existem dois tipos principais:
Forma juvenil: aparece na infância
Forma adulta: manifesta-se na vida adulta, geralmente entre os 20 e 40 anos
Sintomas mais comuns
Rouquidão que não melhora
Voz fraca, trêmula ou soprosa
Sensação de corpo estranho na garganta
Cansaço ao falar
Dificuldade respiratória (em casos mais avançados)
Como é feito o diagnóstico
O PRR nem sempre é fácil de detectar nos estágios iniciais. As lesões podem ser pequenas e exigir instrumentos de alta definição para serem vistas. A confirmação final é feita com biópsia e exame histológico do tecido, na qual também conseguimos identificar o tipo de HPV envolvido.
O tratamento é cirúrgico?
Sim. O tratamento mais comum é a remoção das lesões, mas o PRR tem uma característica marcante: pode voltar. Por isso, é importante adotar estratégias que reduzam o risco de recorrência.
As principais opções terapêuticas incluem:
Cirurgia com laser fotoangiolítico (laser azul) e técnica videoendoscópica: técnicas modernas e precisas. O laser atua seletivamente nos vasos sanguíneos do papiloma, poupando o tecido saudável. Em alguns casos pode ser feita com anestesia local, sem dor, e em regime ambulatorial. O uso da videoendoscopia permite avaliar áreas que não são possíveis apenas com os microscópios cirúrgicos convencionais. Com isso evita-se deixar lesões de papiloma sem remoção durante as cirurgias.
Injeção de antivirais ou imunobiológicos: medicamentos que ajudam a controlar a atividade viral e reduzir recidivas.
Vacinação terapêutica contra o HPV: especialmente útil em casos de múltiplas recorrências.
Acompanhamento fonoaudiológico e médico contínuo
Por que o laser azul é tão eficaz?
Esse tipo de laser é absorvido apenas pelos vasos sanguíneos da lesão, promovendo sua esclerose (secagem) e reduzindo o papiloma sem agredir a mucosa da prega vocal. Isso preserva ao máximo a função vocal e permite tratamentos repetidos, quando necessário, com prejuízo reduzido à estrutura da voz.
A papilomatose tem cura?
O papiloma pode ser controlado, mas tem alta taxa de recorrência. Muitos pacientes necessitam de várias intervenções ao longo da vida. Por isso, o acompanhamento por uma equipe especializada é essencial. Nossa abordagem combina técnicas cirúrgicas modernas, controle viral e estratégias preventivas. Com isso, conseguimos manter a função vocal em bom nível, reduzir a frequência das cirurgias e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Se você tem rouquidão persistente ou foi diagnosticado com papiloma laríngeo, procure um Otorrino especialista em voz e laringologia. O diagnóstico e o tratamento precoces fazem toda a diferença.

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